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Um novo convite ao vôo

O início desse mês foi marcado pela aprovação da PLC 38/2017, a Reforma Trabalhista, por parte do Senado Federal. O projeto era um dos carros-chefes do governo Temer, que enxerga na sua execução a possibilidade de ampliar os postos de trabalho e melhorar os indicadores econômicos. O texto contém diversas alterações à Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT, mas tem como principal foco a máxima de “negociado pelo legislado”: ou seja, agora privilegiamos a negociação entre patrões e empregado em detrimento da lei universalizada. A decisão é confusa e mexe com a forma como entendemos o próprio Estado democrático, liberal (sim) e de direito. Pode um país abrir mão de regular relações e legar i

Manifesto pelo “fazer como dá”

Quero escrever algumas coisas simples sobre estudar e trabalhar. Não sei exatamente como podem ser categorias binárias (muitas pessoas estudam e esse é seu trabalho, muitas pessoas trabalham e, assim, estudam sobre sua profissão, enfim), mas, vou me deter às categorias de forma binária mesmo: trabalhar e estudar. Recentemente dois dados gerais me chamaram a atenção: a quantidade de jovens nem-nem no Brasil (mais de 20% dos jovens nem estudam e nem trabalham, de acordo com amostragem do IBGE) e as recentes informações sobre bolsas e custos de pesquisa científica e acadêmica no país. Esse último dado, em reportagem que li a respeito, a constatação sobre a “ciência no Brasil ser sustentada pelo

As demissões em massa dos terceirizados das instituições públicas de ensino

Em abril de 2017, o jornal Diário de Santa Maria divulgou a demissão de 68 vigilantes que trabalhavam na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - de acordo com Luiz Airton Correa Lucas, presidente do Sindicato dos Vigilantes de Santa Maria, no entanto, o número final de funcionários demitidos foi 56. No mês seguinte, o veículo publicou a informação de que mais 120 trabalhadores das áreas de limpeza, portaria e recepção haviam recebido aviso-prévio ou sido demitidos no mês de maio. Esses trabalhadores têm uma coisa em comum: todos são terceirizados, sem vínculo com a UFSM. Conforme matéria publicada em junho deste ano pela Seção Sindical dos Docentes da UFSM (SEDUFSM), a Universidade Fed

A violência obstétrica e a Casa de Saúde

O hospital Casa de Saúde, localizado na zona norte de Santa Maria, foi selecionado no início de julho por uma comissão responsável pela saúde pública (formada por representantes do estado e municípios envolvidos) como hospital de referência no atendimento a gestantes. Com isso, a Casa passa a atender casos de médio e baixo risco de toda a região central do estado. Essa regionalização busca criar uma “Rede de Atenção ao Parto e Nascimento”, que tem por objetivo reduzir o número de mortes e sequelas nos partos da região. Um fato chama a atenção na recente conquista da Casa: como um hospital denunciado justamente por violência obstétrica se transforma em referência para o parto em toda uma regi

O Rolê

Tempos atrás rolou no grupo da Sinewave no Facebook - um dos maiores grupos de discussão de música alternativa do Brasil (a qualidade da discussão em si é frequentemente questionável, mas isso é outro assunto) - um questionamento sobre por que as pessoas, no geral, relutam a ir em shows. Mais especificamente, por que é tão difícil chamar público para uma banda menos conhecida. A discussão toda foi resumida no primeiro comentário, resolvida antes mesmo de começar: “As pessoas não querem mais ir em shows, elas querem ir em rolês.” Criar público para uma banda é muito complicado. Criar público disposto a ir até um show dessa banda é ainda mais complicado. Não é só porque a banda é “da cidade” q

O Xis-Temer

Você entra no estabelecimento. Limpo. Paredes brancas tal qual o principal produto santa-mariense (farmácias ruins). Senta na cadeira de plástico onde as pernas fazem gostosas parábolas ao aguentar o seu peso de três dígitos. Pega o cardápio de plástico vagabundo e mal diagramado. Você se sente tal qual um guepardo do National Geographic saltando sobre a traseira de um cervo. Afinal, é um predador e nada pode te separar da sua presa: você tem fome de xis. A fome de xis é um mal que acomete a todos os santa-marienses. Sem populismos baratos, geralmente está relacionado às coisas simples de um xis. Ninguém tem fome de xis filé-com-chedder (a grafia errônea é mais bonita). Ou mesmo de xis doce,

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