2018 por BOCA Jornalismo.

Os gêneros musicais se tornaram obsoletos?

26/9/2017

A resposta é não. Óbvio que não, se não o nome do texto não teria uma interrogação no final. A ideia é falar, na verdade, sobre a quantidade de gêneros musicais e a confusão que eles geram. Eu devo ter passado umas duas semanas achando que chillwave era mais ou menos a mesma coisa que dreampop. Eu ainda não sei o que é chillwave, pra falar a verdade.

 

Pode ser que eu que seja meio tapado mesmo - sendo sincero-  mas os nomes não ajudam muito. Pós-Rock não tem muita relação ao muito mais famoso Pós-Punk, apesar dos nomes indicarem o contrário. Como disse uma conhecida minha esses tempos, parece que o “pós” é colocado antes das coisas só pra criar confusão. Pós-rock, pós-metal, pós-hardcore e por aí vai. O Metal também tem uma quantidade absurda de sub-gêneros.

 

Tenho minhas razões pra acreditar que essa confusão, e em boa parte desconhecimento, dos variados gêneros musicais, é algo bastante comum. Tanto que umas semanas atrás tava assistindo a entrevista que o Ronald Rios fez com niLL sobre o disco dele, o Regina, que tem influências muito fortes de Vaporwave. O Ronald nem sequer havia ouvido falar sobre Vaporwave até ouvir o disco.

 

Tá, mas onde eu quero chegar é: essa mania de criar mil nomes diferentes é, em grande parte, só masturbação.

 

“ah mas por que o indie rock…”

 

Indie Rock só virou uma expressão substituta pra Rock Alternativo quando este se tornou extremamente comercial. Para a surpresa de absolutamente ninguém o indie rock é cada vez mais mainstream e comercial. Logo mais alguém inventa algum outro termo e pronto, voltamos à estaca zero.

 

Sim, sim, é importante classificar que tipo de música é feita e fica chato colocar tudo no mesmo balaio, seja lá ele qual for. Não dá pra pegar Vanguart e Emicida e chamar de Nova MPB. Mas frequentemente parece que existe uma ânsia por ser diferente, fazer algo novo, e aí dizem que a banda faz um som pós-industrial-metal com uma pegada meio inspirada em Björk e um pouquinho, um tiquinho assim, de carimbó. No fim das contas isso não diz nada e tu só atrai pessoas que já são familiarizadas com esse nicho musical.

 

Digo, se esse for teu objetivo, show, perfeito. Mas se não for, então isso é uma barreira a ser superada para alcançar o público.

 

Gustavo Martinez é o clássico caso do jornalista que faz tudo que tem a ver com música, menos música. Ainda assim vai dar os seus pitacos aqui sobre tudo que tem a ver com o cenário nacional independente.

 

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