2018 por BOCA Jornalismo.

Os discos de 2017

2/1/2018

Todo ano eu penso em fazer uma lista de discos do ano e nunca faço. Resolvi fazer isso justamente no ano em que eu menos ouvi coisas novas, mas vida que segue.

 

Essa não é uma lista de melhores discos, é só uma lista de álbuns que ouvi em 2017 e que acho que as pessoas deveriam ouvir também. Devo ter deixado passar muita coisa boa por aí, não tenho dúvidas. Mas também não tenho intenção nenhuma de fazer uma lista super completa. Em todo o caso, segue a lista, com alguns breves (brevíssimos) comentários:

 

 

niLL - Regina

 

O niLL e toda a galera da Sound Food Gang, de Jundiaí, tem lançado muita coisa boa. É basicamente um pessoal que se juntou pra fazer música como queriam e que deu muito certo. "Jovens visionários juntos viram fenômenos", como diz o próprio niLL. Ele foi bastante influenciado pelo vaporwave e incorporou isso na música dele, além de várias referências a cultura popular, principalmente à animes. Vale a pena ouvir, é uma geração novíssima do rap nacional que devem crescer muito nos próximos anos.

 

 

Miêta - Dive

 

Já disse que quem não gosta de shoegaze bom sujeito não é. A Miêta não me deixa mentir. Foi um dos discos mais aguardados do ano por mim e valeu a espera. O disco é daqueles que tu passa o tempo todo pensando como deve ser massa ouvir ao vivo.

 

 

 

Beach Fossils - Somersault

 

O Somersault veio meio de surpresa. Um lançamento do Beach Fossils não estava nas minhas expectativas do ano e mesmo assim conseguiu superar todas elas. O disco é menos do indie rock lo-fi dos lançamentos anteriores e mais voltado pra um dreampop. Já aviso que, se tu é muito apegado à estética dos primeiros discos deles e por acaso ainda não ouvi esse aqui, tu não vai gostar.

 

 

In Venus - Ruína

 

Uma banda que veio com tudo em 2017. Vagando pelo vale do post-punk, é admirável como as músicas são bem trabalhadas. Com uma sonoridade que te absorve. Pra quem reclama que não existe músicas de protesto, revoltadas ou coisas do tipo: ouçam In Venus. Algum texto por aí dizia que elas usam “a cultura como arma”, uma descrição muito apropriada.

 

 

Fernando Motta - desde que o mundo é cego

 

É muito bom ouvir o primeiro disco, Andando Sem Olhar Pra Trás (2016), e na sequencia ouvir este. A evolução do Fernando e seus arranjos é muito nítida. Particularmente sempre gostei muito das letras dele e nesse disco continuam ótimas. Quem perdeu o show dele em Santa Maria esse ano: só lamento.

 

 

gorduratrans - Paroxismos

 

O gorduratrans tinha uma missão difícil: produzir um segundo disco que alcançasse as altíssimas expectativas criadas pelo seu primeiro lançamento, Repertório Infindável de Dolorosas Piadas, de 2015. Quanto mais eu ouço Paroxismos mais eu tenho a impressão de que conseguiram.

 

 

Jonathan Tadeu - Filho Do Meio

 

Em maio passado pude assistir pela segunda vez a um show do Jonathan, junto com o Fernando Motta e o Vitor Brauer (que também lançou disso esse ano mas não consegui parar pra ouvir, desculpa aí Vitor) e repito pra quem perdeu: só lamento. Voltando ao disco, o Filho do Meio foge um pouco do que o Jonathan vinha fazendo nos outros discos, com uma pegada quase eletrônica. O que não tira nada do disco, que é um baita álbum, com uma produção surpreendente. Boa parte das vozes, por exemplo, foram gravadas em celular. Quem gosta de umas músicas tristes, porém otimistas, vale ouvir.

 

 

Letrux - Em Noite de Climão

 

Essa não é uma lista de melhores do ano, mas se fosse a Letrux tinha ganhado. O álbum me ganhou logo de cara. Depois de ter ouvido tanto falar sobre a tal Letrux que tinha lançado um baita disco eu achei que ele não podia ser tudo isso, mas era tudo isso e mais um pouco. É um disco incrível: é transgressor mas também ótimo pra uma festa. Dona de uma estética absurdamente linda, inclusive nos clipes, Letrux ganhou 2017, com certeza.

 

 

 

Gustavo Martinez é o clássico caso do jornalista que faz tudo que tem a ver com música, menos música. Ainda assim vai dar os seus pitacos aqui sobre tudo que tem a ver com o cenário nacional independente.

 

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