• Chaiane Appelt, Leonardo Catto e Luan Romero

Boca Jornalismo vai à feira

7h30min. Para alguns, acordar cedo numa manhã de sábado pode ser uma tarefa ingrata. Não para os feirantes e consumidores que chegam ao pavilhão do Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter. Para eles, é parte da rotina.

10h. Embaixo da ponte do campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), feirantes expõem desde flores até mel e queijo colonial. Entre as barraquinhas cruzam senhoras de idade e jovens que levam para casa legumes frescos.

Enquanto as compras cotidianas ocorrem em Santa Maria, em Brasília, um projeto de lei que visa flexibilizar as regras existentes para o uso de agrotóxicos circula pelos corredores do Congresso Nacional. A PL nº 6299, de 2002, de autoria do então senador pelo Partido Popular Socialista (PPS) do Mato Grosso e hoje Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, é a junção de outras propostas de alteração da Lei nº 7.802, de 1989, que regulamenta desde a produção até a fiscalização do uso de agrotóxicos. O projeto de lei é defendido por diversos parlamentares ligados a bancada do agronegócio brasileiro.

Entre as mudanças propostas está a mudança do nome “agrotóxico” para "defensivos agrícolas" e "produtos fitossanitários", além da flexibilização da análise e aprovação de novos produtos. Diversas instituições, como o Inca, a Fiocruz e o Ministério da Saúde já se manifestaram contra as medidas contidas no projeto. A PL foi aprovada pela Comissão Especial responsável por sua análise na Câmara dos Deputados em junho e deve ir a votação em plenário assim que a pauta for proposta pelo presidente, o deputado Rodrigo Maia (DEM).

O debate em torno dos usos de agrotóxicos traz à tona outras discussões, como a produção de alimento orgânicos. A equipe do Boca Jornalismo conversou com feirantes e consumidores de produtos orgânicos em Santa Maria, para saber como esse mercado se desenvolve na cidade. Confira no vídeo abaixo: