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Por que existem candidatos que não têm votos?

Esta reportagem faz parte do projeto Boca de Urna, a iniciativa de cobertura eleitoral local do Boca Jornalismo. O material completo está disponível aqui.

As eleições são regidas pela Lei nº 9504 de 1997, que estabelece as normas desde o tempo de campanha eleitoral que cada candidato possui nos meios de comunicação até como as coligações podem ser formadas. Em 2009, foi instituída através da lei nº 12034 que é obrigatório que se estipule porcentagens mínimas e máximas de candidatos de cada gênero por partido ou coligação, sendo elas 30% e 70%. A lei não define exatamente que “30% das candidaturas sejam de mulheres”, mas é assim que a mínima acaba normalmente sendo vista, como uma cota a ser preenchida.

Essa medida, que deveria ser uma forma de inclusão, pode ser considerada inefetiva, pois com a aprovação da lei nº 13165 de 2015, os partidos e coligações podem inscrever candidaturas em até 150% do número de vagas a serem preenchidas. Considerando o caso hipotético de termos 100 vagas, até 150 candidatos podem ser inscritos. No entanto, a regra de 30% e 70% com relação a gênero se calcula com base nas 100 vagas. Assim, podem ser inscritas 30 e 70 candidaturas, respeitando a regra, e ainda sobram 50 para serem preenchidas em conformidade às necessidades do partido ou coligação.

Além disso, houve um aumento no número de candidaturas que não receberam nenhum voto durante as últimas eleições municipais. Segundo dados do TSE, em 2014 foram 14.417 candidatos com votação 0. O que surpreende é que desses, cerca de 90% são candidaturas femininas. Segundo a mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Gabriela Machado da Silva, isso se dá em parte, porque os partidos tendem a apoiar candidaturas masculinas que tenham “mais expressão” do que investir em outros candidatos. “O financiamento é bem especial, os homens chegam a arrecadar em média, por candidato, três vezes mais que as mulheres. E é comprovado que isso influencia na votação.” reflete Gabriela.

O projeto Boca de Urna também mapeou o perfil em números dos candidatos a deputado estadual com base em Santa Maria. Além disso, você fica sabendo quais são as propostas desses candidatos. A série também traz uma reportagem sobre os deputados federais.