• por a Redação

O que pensam os santa-marienses apoiadores de Jair Bolsonaro, por BOCA Jornalismo

2018 repete um cenário raro na política presidencial: pela segunda vez desde 1990 - quando as eleições presidenciáveis voltaram a ser diretas, depois do período da Ditadura Militar, que durou de 1964 até 1985 - os dois primeiros colocados não foram do PT e PSDB. O cenário só havia acontecido nas eleições de 1989, quando a eleição foi decidida entre Collor (PRN) e Lula (PT).

Jair Bolsonaro (PSL) atingiu um total de 46,03% dos votos, frente ao segundo colocado Fernando Haddad (PT) que obteve 29,28%. Historicamente, o Partido Social Liberal (PSL) nunca havia chegado ao segundo turno das eleições presidenciais e, neste ano, se tornou o segundo maior partido do Brasil em número de parlamentares eleitos na Câmara dos Deputados. Além disso, no Rio Grande do Sul, os dois deputados estaduais mais votados - Tenente Coronel Zucco e Ruy Irigaray - também fazem parte do PSL.

O fenômeno que já foi descrito por muitos pesquisadores e estudiosos como “bolsonarismo” se reflete em Santa Maria. Na cidade, que possui o segundo maior contingente militar do país, o militar da reserva e candidato à presidência da República pelo Partido Social Liberal alcançou 51,85% dos votos válidos. Ao andar pela cidade, é possível notar o apoio ao candidato em adesivos, camisetas e bandeiras. Mais do que apenas apoiadores, grande parte dos eleitores se organizam dentro e fora das redes sociais para disseminar as ideias de Jair Bolsonaro, que é visto como um líder a ser seguido, um mito.

Diante desse cenário, o BOCA Jornalismo foi às ruas para entender o que dizem, como se articulam e se comunicam os apoiadores de Bolsonaro na cidade.

Quem é e como chegou até aqui

O candidato Jair Bolsonaro iniciou a vida política eleito vereador no Rio de Janeiro em 1988. Não completou o mandato, pois conseguiu se eleger para um cargo nacional dois anos depois. Deputado federal desde 1991, passou por sete partidos ao longo de sua vida pública: Partido Democrata Cristão (PDC), Partido Progressista Renovador (PPR), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido da Frente Liberal (PFL, atualmente Democratas), Partido Progressista (PP), Partido Social Cristão (PSC) e o Partido Social Liberal (PSL).

No dia 22 de julho deste ano, o PSL oficializou a candidatura de Bolsonaro à presidência da República, indicado por aclamação de correligionários no encontro nacional da legenda. Mais tarde, definiu-se que seu vice seria General Mourão, representante do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). A coligação leva o nome “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” e a campanha gira em torno do slogan “Muda, Brasil!”.

O plano de governo da chapa foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 14 de agosto. O documento que se intitula “O Caminho da Prosperidade” contém 81 páginas e apresenta indicativos conservadores nas políticas públicas e postura liberal na economia. A maior parte do seu eleitorado, no entanto, já nutria forte apoio ao candidato antes mesmo de ter conhecimento de suas propostas concretas.

Bolsonaro se coloca como alguém novo, de fora do sistema político vigente. Sua campanha é impulsionada pela palavra “mudança” e os seus eleitores acreditam fielmente nesta ideia.

“Ele representa, para mim, a mudança. Não gosto nem de falar 'velha política’, porque a política que existe hoje simplesmente não é política. Então, eu gostaria de um governo que fizesse a ‘verdadeira política’. Para o povo, para nós cidadãos. E, não, para bandidagem.” - Tatiane Marques, candidata a Deputada Estadual pelo PSL

Em 26 anos na Câmara dos Deputados, Bolsonaro apresentou 171 projetos de lei, de lei complementar, de decreto de legislativo e propostas de emenda à Constituição (PECs) e teve apenas dois projetos aprovados. Viraram lei uma proposta que estende o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática e outra que autoriza o uso da chamada “pílula do câncer” – a fosfoetanolamina sintética. Os projetos não aprovados são, em sua maioria (56,7%), voltados para militares e segurança pública.

A santa-mariense candidata a Deputada Estadual pelo PSL Tatiane Marques afirma que o número de projetos aprovados ao longo da vida pública reflete a credibilidade do candidato, uma vez que Bolsonaro se negar a fazer alianças políticas.

“As pessoas vêm conversar ‘Ah, Bolsonaro está há 27 anos na vida pública e aprovou meia dúzia de projetos’. Essa é a maior prova da honestidade dele, porque, se ele tivesse lá há 27 anos com todos os projetos aprovados como os coleguinhas dele, aí a gente ia desconfiar da índole dele”, conclui Tatiane.

Alianças políticas

Em nível estadual, Jair Bolsonaro recebeu apoio dos dois candidatos que pleiteiam o segundo turno das eleições - José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSDB). Embora o PSL estadual tenha optado por apoiar Sartori, é possível ver pelas ruas da cidade materiais de campanha do tucano ao lado de Bolsonaro.

Nacionalmente, o capitão conta com forte apoio da bancada ruralista e evangélica, ainda que se coloque como uma figura que não tem apreço por negociações partidárias. Apesar da Câmara dos Deputados se encontrar bastante fragmentada e do Senado ter passado por uma renovação quase total das vagas disponíveis, o candidato encontra terreno fértil para a aprovação das suas propostas. Seus eleitores acreditam que o diálogo com os outros partidos e coligações se realizará de maneira saudável.

“Com certeza o diálogo vai acontecer. [...] Desde o fim do primeiro turno, existem vários partidos e políticos declarando seu apoio a Jair Messias Bolsonaro, porque é necessário que estas pessoas conversem. O grande objetivo não é Jair Messias Bolsonaro. O grande objetivo chama-se Brasil.” - Oscar Neto, presidente do PSL e do comitê do Bolsonaro em Santa Maria e veterano da Polícia do Exército.

Liberalismo econômico e conservadorismo nos costumes

O Partido Social Liberal assume posicionamentos que pregam, ao mesmo tempo, um liberalismo econômico e um conservadorismo nos costumes. Para o partido, é válida a máxima de “quanto menos Estado, melhor”. Ao mesmo tempo em que defendem valores éticos e morais relacionados à família e ao que chamam de “cidadão de bem”.

“O PSL defende muito o liberalismo no sentido de governo.[...] Nós somos bem conservadores, a favor da família, da moral, da ética, dos bons costumes. Vamos sempre defender o cidadão de bem. Nunca, jamais bandido, maconheiro… Não tem nada que passar a mão na cabeça. Sou contra a liberação de drogas, totalmente pró-vida, 100% contra o aborto, inclusive em casos de estupro.” - Tatiane Marques.

O papel das redes sociais e a relação com a imprensa

Com apenas oito segundos reservados na propaganda eleitoral gratuita, as estratégias de campanha se deram basicamente pela internet, através das redes sociais. O ativismo e a militância da população a favor do candidato se dão muito através do compartilhamento das notícias e de depoimentos dos eleitores, e da promoção de ações pró-Bolsonaro. A página dos apoiadores de Bolsonaro em Santa Maria surgiu no dia 28 de janeiro deste ano e conta com cerca de 10 mil curtidas; enquanto a página “PSL Santa Maria” foi criada no dia 12 de abril de 2018 e conta com cerca de 4 mil curtidas.

“Eu acompanho Bolsonaro desde muito tempo atrás. Ele decidiu ser candidato no final de 2014, e eu já acompanhava ele. Pela internet, praticamente, no Facebook, página dele… Globo, Terra, Uol. Nesses [sites], eu vejo o ‘anti-bolsonaro’ completo.” - Guilherme Santos, estudante e eleitor de Jair Bolsonaro.

Os grupos de apoio ao candidato ganharam força, principalmente, através do uso do Whatsapp. Foi a partir de uma conversa em um grupo na plataforma de mensagens, por exemplo, que Neto foi indicado para ser presidente do PSL em Santa Maria.

“As pessoas estão nesses grupos porque querem mudança, porque acreditam nas propostas do Bolsonaro. Para se ter uma ideia, até bem pouco tempo atrás não se tinha concretizado nenhum plano de governo. Até então, nós estávamos falando coisas que ele havia dito anteriormente em suas propostas e em seus discursos e o que nós estávamos acreditando. Isso veio a se concretizar no momento que ele lançou o plano de governo. Não existe uma articulação nacional dos movimentos do Whatsapp.” - Oscar Neto

Sob atestado médico, Bolsonaro não tem participado dos debates presidenciais desde o dia 6 de setembro, quando foi esfaqueado em uma visita a Juiz de Fora, em Minas Gerais. Em outubro, no entanto, revelou em coletiva de imprensa que "existe a possibilidade sim estratégica" de não comparecer aos debates. Assim como ele, seus eleitores e apoiadores expressam ressalvas em relação a entrevistas para a mídia. Grande parte de seus eleitores repudia a mídia brasileira de referência e a coloca como “defensora da esquerda”. Os conteúdos divulgados sobre o candidato parecem não agradar o público eleitor, que acredita que o “pior” do candidato vem à tona a partir das distorções da imprensa.

Na última semana, o jornal Folha de S.Paulo publicou que empresários que apoiam Bolsonaro bancavam campanha contra o PT pelo WhatsApp. Depois disso, a hashtag #Caixa2doBolsonaro chegou ao 1º lugar no Trending Topics mundial do Twitter. O candidato negou as acusações. No domingo (21), ainda falou diretamente com manifestantes via videoconferência, exibida em telões na Avenida Paulista. Em seu discurso, Bolsonaro afirmou que a Folha é a maior fake news do Brasil.

Essa jornalista [Patrícia Campos Mello] vai ser processada pelo PSL, porque jogou isso no ar, não tem provas de nada disso. Simplesmente para criar uma fake news, uma polêmica. Tanto é que hoje a Folha colocou que não tem provas, não tem nada. A gente bate no peito, em todos os lugares que a gente vai e grita ‘eu vim de graça’. - Tatiane Marques

“Uma matéria da Folha… não tem nada. Uma jornalista falou… não tem um papel, uma filmagem, uma aspa que o Bolsonaro falou alguma coisa, não tem nada. Eu acho que nessa hora uma parte da imprensa entrou em desespero, porque tá vendo que não vai ter como o PT continuar no poder, ou uma ideologia de esquerda.” - Guilherme Santos

A bandeira do antipetismo

Jair Bolsonaro carrega consigo, em seu plano e com seus aliados a defesa do antipetismo. Com uma campanha majoritariamente feita nas redes sociais, vale destacar que a página do candidato no Facebook estreou em junho de 2013, quando um número expressivo de pessoas que foram às ruas se posicionavam - dentre outras coisas - contra políticas desenvolvidas pelo Partido dos Trabalhadores. A partir daquele ano, passou a haver uma rejeição aos partidos políticos de maneira geral.

“Eu acho que o Amoêdo [candidato pelo partido Novo, que era a sua 1ª opção de voto] não tinha chance nenhuma de tirar o PT do poder. Como eu via que Bolsonaro era o principal candidato que tem essa chance, essa oportunidade… sem dúvida, Bolsonaro.” - Guilherme Santos

O PT é alvo de críticas intensas de Bolsonaro, sendo apontado como principal causador da corrupção no Brasil. Na 14° página de seu plano de governo, essa posição é enfatizada, quando menciona o déficit primário previsto para 2019 nas contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência, é apontado que “o problema é o legado do PT de ineficiência e corrupção”. Em seus discursos públicos, o candidato costuma fazer menções ao partido opositor e seus apoiadores, como no primeiro turno, em agenda de campanha no norte do país, quando declarou “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre, hein?”.

“Eu posso dizer que, durante todo esse tempo em que esteve o PT no comando do Brasil, o que acontece é o Brasil do jeito que tá. Saúde, segurança, educação… então, tem que mudar. A hora de mudar é agora.” - Glênio Grazzioli, membro do diretório do MDB em Santa Maria

Os discursos de Bolsonaro também frisam uma suposta ameaça comunista, encabeçada pelo PT. Em uma transmissão ao vivo nas ruas redes sociais, ao lado do filho Flávio Bolsonaro - eleito senador pelo Rio de Janeiro - o candidato diz que representa o Brasil verde e amarelo contra o socialismo e o comunismo. Em seu discurso exibido na Avenida Paulista no dia 21, o candidato afirmou que vai fazer “uma limpeza nunca vista na história desse Brasil”. E foi mais além: “Vamos varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil”. Em grande parte dos discursos de seus apoiadores também figuram as ideias antipetistas e anticomunistas.

“Eu sou contra o socialismo, sou totalmente capitalista. Eu vejo que o PT apoiou a Venezuela, um absurdo. Tem gente morrendo lá, tem gente passando fome e eles querem implantar isso aqui. Eu sou a favor do capitalismo, da meritocracia, de ter empresa comandando o país, do Estado mínimo. Totalmente diferente do que o PT prega hoje.” - Guilherme Santos

O porte de armas e a militarização

Bolsonaro defende a redução da maioridade penal para 16 anos, fim da progressão de penas e saídas temporárias e - principalmente - reformulação do Estatuto do Desarmamento para garantir, segundo seu plano, direito de defesa ao cidadão.

“Eu sou a favor do porte de arma para quem quer ter. Porque as pessoas confundem muito achando que o Bolsonaro vai colocar uma arma no colo de cada cidadão, e não é isso que vai acontecer. Ele vai facilitar o acesso para o cidadão de bem.” - Tatiane Marques

Tanto Bolsonaro quanto seu vice General Mourão são conhecidos por elogiar o período da Ditadura Militar, que perdurou no Brasil entre 1964 e 1985. Ainda que tenham vindo a público defender valores democráticos, em outras ocasiões, afirmaram que as instituições públicas são incapazes de solucionar os problemas de corrupção do Brasil, enquanto os militares poderiam os resolver.

“Ele [Jair Bolsonaro] estudou na Academia Militar das Agulhas Negras e, dentro do Exército, nós convivemos com todos os tipos de pessoas. O Exército é o reflexo da sociedade. Para lá, vai todo mundo que está nas ruas, que nasce na nossa cidade. E nós convivemos com essas pessoas que têm pensamento diferente.” - Oscar Neto

“As pessoas confundem muito Regime Militar com Ditadura Militar. Tem uma diferença bem significativa. Regime Militar ocorreu sim, mas uma ditadura nunca houve.” - Tatiane Marques

No âmbito da Educação, Bolsonaro defende a militarização das escolas e afirma que a “a educação infantil é a base para a educação final”. Segundo o candidato, atualmente, em sala de aula “o professor está mais preocupado em não apanhar do que em ensinar”, já que lhe foi “retirada a autoridade.” Já para o Ensino Superior, pretende implementar a cobrança de mensalidades para alunos com maior renda e pode intervir na escolha de reitores e vices. Os moldes militares de ensino, com preponderância ao patriotismo - adoração ao hino, à bandeira - parecem agradar os seus eleitores.

“Eu tive Educação Moral e Cívica no colégio. Aprendia a respeitar pais, professores, os símbolos nacionais [...] Eu só sei o Hino Nacional e o Hino Rio-Grandense hoje porque aprendi no colégio. Hoje uma porcentagem expressiva das crianças e dos jovens não sabem cantar o Hino Nacional, muito menos o do Rio Grande do Sul.” - Tatiane Marques

Os discursos extremistas e a violência

No final de 2017, Jair Bolsonaro foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) a pagar uma multa de 150 mil reais por dano moral coletivo a partir de suas declarações de cunho homofóbico em um programa de televisão. Bolsonaro também é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao estupro e por injúria.

Em abril de 2018, a Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou o deputado por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. Seu filho, o deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi denunciado por ameaças a uma jornalista. Se condenado, Jair Bolsonaro poderá cumprir pena de reclusão de um a três anos e arcar com R$ 400 mil por danos morais coletivos. No caso de Eduardo, a pena prevista – de um a seis meses de detenção – pode ser convertida em medidas alternativas.

“Eu não vou dizer que eu concordo 100% com o Bolsonaro. Eu sei que tem horas que ele exagera e tá errado. Mas se eu colocar numa balança hoje, se eu prefiro ele ou o Haddad, mil vezes Bolsonaro.” - Guilherme Santos

Logo após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, uma série de agressões e uma morte foram registradas no país e atreladas a apoiadores de Bolsonaro. O próprio candidato afirmou, entrevista à rádio CBN, ter sido “vítima daquilo que prega”. Em outro momento, nas redes sociais, afirmou dispensar os votos de quem pratica violência contra opositores e afirmou que há um “movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar” sua campanha.

A Agência Pública apurou que apoiadores de Bolsonaro foram responsáveis por pelo menos 50 ataques em todo o país nos primeiros 10 dias do mês de outubro. O levantamento, feito em parceria com a Open Knowledge Brasil, ainda aponta seis agressões contra eleitores de Bolsonaro. Apesar da crença por parte de Bolsonaro e apoiadores de que os atos violentos são “plantados”, o professor de Direitos Humanos e coordenador do Centro de Justiça e Sociedade (CJUS) da FGV, Michael Mohallem, declarou para o jornal O Dia que o discurso inflamado do presidenciável legitima a violência praticada em nome dele.

O cenário atual é avaliado por grande parte de seus eleitores sob a ótica da violência que sempre existiu na sociedade e sob a perspectiva de que os ânimos se acirram em períodos eleitorais. Ainda assim, o Brasil é visto como um país onde não há grandes possibilidades de enfrentamentos entre a população, já que - nas palavras do presidente do comitê do PSL/ Santa Maria - a cultura brasileira é marcada pela cordialidade.

“Os nossos cidadãos são pacíficos. Não faz parte da índole brasileira esse tipo de coisa. Tanto assim que vivemos muito felizes, existe atentado no mundo inteiro. Aqui no Rio Grande do Sul temos a maior colônia sírio-libanesa do Brasil. E os atentados que fazem no resto do mundo? Por que não fazem aqui em Santa Maria, na Rua do Acampamento? É cheio de sírio-libanês e de loja, do que o pessoal chama de ‘turco’. [...] Eles comungam desse pensamento brasileiro de muita tranquilidade, muito amor e muita religiosidade. Não consigo ver um Brasil cheio de atentados. Com certeza, Bolsonaro está certo quando diz que não quer esse tipo de gente no PSL.” - Oscar Neto

As questões de gênero

Nos discursos de Jair Bolsonaro percebe-se uma certa insistência contra a “ideologia de gênero”, que ele diz ter sido implementada no Brasil pelos governos do PT. Em uma entrevista em rede nacional, Bolsonaro mostrou às câmeras um livro intitulado “Aparelho Sexual e Cia” que ele afirmou fazer parte de um “kit gay” que estaria sendo distribuído pelo Ministério da Educação às escolas públicas para estimular a homossexualidade. Pouco depois, a informação foi desmentida por diversos portais de notícias. Mais tarde, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que o “kit gay” nunca existiu e proibiu Bolsonaro de disseminar a notícia falsa. Ainda assim, o candidato nega ser homofóbico e voltou a afirmar que não acha certo um pai encontrar um filho brincando de boneca "por influência da escola".

Em 2014, o candidato concedeu entrevista a Zero Hora. Na ocasião, comentou a existência de diferença salarial entre homens e mulheres, a justificando em função de direitos das mulheres, como licença maternidade: “Quem que vai pagar a conta? É o empregador. No final, ele abate no INSS, mas ele fala o seguinte: quebrou o ritmo de trabalho. Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias. Então, no ano, ela vai trabalhar cinco meses”, declarou. Bolsonaro também votou contra a PEC das domésticas - lei que estendeu às trabalhadoras domésticas os mesmos direitos da CLT - porque, segundo ele, a legislação provocou o desemprego.

“Não me considero feminista, sou feminina. É diferente. Eu acho que tudo que tem “ista” não é legal: machista, feminista, sexista… não me considero feminista [...] tem gente que me xinga e me chama de ‘Bolsonaro de saia’. [...] Não é que a mulher tem que ganhar menos. É que, infelizmente, é como aconteceu com a PEC das empregadas domésticas. Encheram as empregadas domésticas de direitos… perderam o emprego. Então, o que tu prefere: ter menos direitos, mas teu patrão conseguir manter o emprego, ou ser cheio de direitos e desempregado?”- Tatiane Marques

No dia 29 de setembro, a exemplo de atos em diversas cidades do país, Santa Maria registrou um movimento de protesto ao candidato a presidente da república, Jair Bolsonaro. Na ocasião, milhares de pessoas se reuniram na área central da cidade no movimento intitulado “Mulheres Contra Bolsonaro”, marcado pelo uso das #EleNão e #EleJamais. Quando questionada sobre o movimento feminista, Caroline Dalcin presidente da juventude do Democratas de Santa Maria e integrante do Movimento Brasil Livre afirmou defender a meritocracia, independentemente do gênero. Para ela, a militância a favor do candidato representa um voto de confiança na mudança em setores que merecem mais destaque na sociedade:

“No âmbito do movimento pró- Bolsonaro, são pessoas que estão englobando um cenário maior que é o cenário de mudança e foco em questões que são tão importantes na nossa sociedade, como a questão do emprego, a questão do desenvolvimento das pessoas.” - Caroline Dalcin, presidente da Juventude do Democratas/ Santa Maria.