• Luis Fernando Filho e Rubens Guilherme Santos

Consciência negra no RAP de Santa Maria

“Só fica escravo aquele que morrer sobre donos”.

Essas são as palavras de Zumbi dos Palmares, um dos maiores representantes da luta contra a escravidão no Brasil. Zumbi foi o último líder do Quilombo de Palmares e seu intenso combate à cultura escravagista colonial permanece nas lembranças de negros e negras até hoje. A data de sua morte, 20 de novembro de 1695, carrega um significado especial.

Desde 2003, o Brasil inseriu no calendário escolar esta data para celebrar o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Entretanto, apenas em 2011, por meio da Lei nº 12.519 de 10 de novembro do mesmo ano, a data foi oficializada. O dia 20 deste mês é feriado em mais de mil cidades e alguns estados brasileiros. Desta forma, novembro ficou conhecido como o Mês da Consciência Negra e calendariza diversas atividades relacionadas a problemáticas que discriminam e inferiorizam a comunidade negra.

As batalhas de rima são espaços de resistência da cultura negra na cidade. Foto: Beatriz Couto/ BOCA Jornalismo

Porém, a batalha pela sobrevivência para pretos e pretas continua. Mesmo após quase 400 anos sob um processo de escravidão, a população negra persiste como resistência num país que mata um jovem negro a cada 23 minutos, segundo a campanha Vidas Negras da Organização das Nações Unidas (ONU) Brasil, que relaciona o racismo e a violência no país. Para fortalecer a luta pela sobrevivência das raízes africanas do povo preto brasileiro, espaços de discussões e de produções culturais são recursos utilizados por quem sente na pele as dificuldades de viver numa sociedade racista.

Mas, afinal, o que é ser resistência negra em Santa Maria? Fomos atrás do pessoal que constrói e resiste na cidade através do Rap, elemento do movimento Hip-Hop e símbolo da cultura negra por todo o mundo, para tentar responder esta pergunta. Confira no vídeo a palavra de negros e negras que utilizam-se do Rap como espaço de sobrevivência cultural negra e periférica no Coração do Rio Grande: